SIDEBAR
»
S
I
D
E
B
A
R
«
Como iniciar um movimento…
mai 14th, 2012 by Fretta

Os animais não podem ser comparados com coisas, porque não são coisas.
mai 5th, 2012 by Fretta

Nova lei de proteção aos animais em Portugal.

Grupo SwáSthya Argentina
abr 26th, 2012 by Fretta

Pújá- Retribuição de energia ( Tratado de Yôga-DeRose)
abr 13th, 2012 by Fretta


Pújá pode ter vários significados. Oferenda, honra ou retribuição de energia ou de força interior, são as formas pelas quais nos referimos ao pújá na estirpe Dakshinacharatantrika-Niríshwarasámkhya Yôga. Mas o termo pode significar também adorar, prestar culto, venerar, honrar, reverenciar.

Assim, se você seguir uma corrente de Yôga Vêdánta, o termo pújá poderá ter uma conotação totalmente diversa da de uma Escola de Yôga Sámkhya (ainda mais se for Niríshwarasámkhya). Enquanto no Sámkhya mais antigo, pré-clássico, pújá tem um sentido naturalista de sintonização com os arquétipos, na linha Vêdánta medieval ganha interpretação espiritualista e até religiosa.

Um bom exemplo do pensamento naturalista é o trecho da poesia de Fernando Pessoa:

Se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e luar
Então acredito nele a toda hora.

Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar.

Variedades de Pújá

O conceito de pújá possui primeiramente duas divisões: báhya pújá (externo, expresso com oferendas materiais) e manasika pújá (interno, manifestado por meio de mentalização e atitude interior).

Para realizar o báhya pújá cinco objetos materiais, tradicionalmente, são mais recomendáveis: frutas, flores, tecidos, incenso e dinheiro. Dependendo do Mestre, alguma(s) destas formas de oferenda podem não ser bem aceitas, portanto, informe-se antes de fazê-la(s) impulsivamente, como ocorreu comigo na Índia, no caso que relatei no livro Quando é Preciso Ser Forte. Não obstante essas cinco formas de pújá tradicionais, atualmente é comum o indiano médio oferecer a um Mestre simplesmente uma caixa de doces! No Ocidente, um tipo de oferenda que todo instrutor aprecia são músicas que possa utilizar em coreografias, meditação, relaxamento e aulas em geral. Na verdade, não importa o que você esteja ofertando. Importa é o sentimento, a intenção e a intensidade com os quais o pújá esteja sendo feito. A partir daí, podemos dizer que há um número infinito de variações, tanto de báhya pújá, quanto de manasika pújá.

Na prática regular de Yôga aplica-se mais o manasika pújá, reservando-se o báhya pújá para circunstâncias cerimoniais, sociais e festivas. No Oriente são muitas essas ocasiões. Já, no Ocidente, resumem-se a umas poucas como o aniversário, dia do Mestre, Natal, inauguração de um Núcleo, início de um curso ou evento, etc. Uma modalidade denominada chakra pújá pode ser feita para comemorar a formalização de um relacionamento afetivo de um casal de yôgins de linha tântrica.

O manasika pújá se faz com profunda concentração e visualizando linhas, raios ou jatos de luz partindo do coração do praticante ou discípulo (dependendo do seu grau de identificação) em direção ao Mestre, envolvendo-o e impregnando-o com a energia de carinho, amor, lealdade e apoio daquele que transmite o pújá.

A visualização terá muito mais validade se for potencializada por um sentimento verdadeiro, honesto e intenso. Essa luz pode ser visualizada com a coloração amarelo-ouro, diáfana e brilhante, como o são em geral os fachos de luz, ou pode tomar as características cromáticas daquilo que se deseja melhor transmitir: se for saúde física e vitalidade, luz alaranjada; se for saúde generalizada com redução de stress, verde alface; se for paz e serenidade, luz azul celeste; se for afeto, rosa; se for para auxiliar uma superação kármica, violeta.

Na prática ortodoxa de SwáSthya Yôga convencionaram-se quatro segmentos de pújá:

1) bhavana pújá  - ao local que acolhe os praticantes e que fica impregnado de forças positivas;

2) guru pújá -  ao instrutor que ministra a prática em curso, representante de Shiva;

3) satguru pújá  – ao Mestre do instrutor, quem transmite a ele a força de Shiva;

4) Shiva pújá  – ao criador do Yôga.

Na prática heterodoxa o pújá pode sofrer algumas discretas adaptações, desde que quem o faça tenha a autorização do seu Supervisor.

Para Quê Pújá?

A função do pújá é estabelecer uma corrente de sintonia entre o discípulo e o Mestre e, logo em seguida, realizar energeticamente o fenômeno dos vasos comunicantes: aquele que tem mais, deixa fluir para aquele que tem menos. Quem tem mais força e conhecimento é o Mestre. Contudo, pela Lei Natural de Ação e Reação, se o discípulo tomar uma atitude vampiresca e parasitária de querer receber, gera um campo de força, de reação, que bloqueia tudo. Por outro lado, se o discípulo educado trata de somente enviar uma oferenda de boas vibrações e mentalizações ao seu Mestre, gera-se um campo de força favorável à identificação entre ambos, conseqüentemente, ocorre um jorro de retorno àquele que fez a emissão original.

Mas, atenção: não se faz pújá com segundas intenções, para receber o benefício do retorno de energia. Isso seria seqüela de uma educação religiosa deturpada, em que a pessoa quase sempre reza para pedir algo, ao invés de manifestar o comportamento mais digno que seria orar para oferecer algo.

Para Quem se Faz Pújá

Pode-se fazer pújá a um local sacralizado, a uma pessoa consagrada, ou a uma egrégora, isto é, a uma entidade gregária, o ser arquetípico que polariza e nucleia um grupo de indivíduos.

Quando entre pessoas, o pújá faz-se somente em sentido ascendente, ou seja, do inferior ao superior hierárquico. Assim, um devoto pode fazer pújá à sua divindade, um filho pode fazer pújá ao seu pai ou mãe, e o discípulo ao Mestre, mas o contrário não. No chakra pújá os convidados à cerimônia oferecem um pújá ao casal pelo motivo de que, naquele momento, ele representa Shiva-Shaktí.

Como em todas as coisas do hinduísmo, com relação ao pújá encontram-se também opiniões as mais variadas e discrepantes. Em algumas regiões e em determinadas escolas, o pújá muda de nome ou, então, entende-se que ele não possa ser direcionado a outro Ser Humano, mas apenas ao Ser Divino. Outras contra-argumentam que o Ser Divino está dentro de todo Ser Humano, portanto, o pújá pode ser feito ao Mestre. Se formos ater-nos à teorização e à filosofia especulativa, isso se tornará uma discussão sem fim.

O importante é o praticante saber que o pújá é parte da etiqueta e das boas maneiras yôgis (consulte o livro Método de Boas Maneiras , Mestre DeRose). Seja qual for sua origem, casta, credo ou posição social, antes de qualquer coisa deve ter lugar um pújá. O pújá é como se fosse o agradecimento prévio pelo que ainda vai ser feito. É um “muito obrigado” dito pelo aluno antes da aula, assim que chega para a classe. É a maçã que a criança leva espontaneamente para a sua professora primária.

A Falta do Pújá

A falta do pújá prejudica o praticante, pois o instrutor não dispõe de energia inesgotável para ministrar tantas classes e continuar com forças para irradiar magnetismo aos seus pupilos. É com a energia previamente ofertada pela turma que o instrutor vai operar. Ele processa e reflete essa força de volta para os seus alunos na forma de uma aula muito melhor, mais poderosa, mais dinâmica, mais mágica e mais alquímica.

A carência do pújá pode lesar o instrutor severamente. Afinal, quando os Antigos elaboraram o pújá como parte fundamental da prática de Yôga, sabiam o que estavam fazendo. Com que petulância os contemporâneos decidem que isso não é importante e o suprimem!

Os instrutores de Yôga ocidentais têm complexo de Deus. Acham que são imortais, que suas energias são inesgotáveis e que podem ensinar Yôga anos a fio, dando, dando sempre sem exaurir-se. A síndrome de divindade é de tal forma aguda que muitos profissionais, além de não ensinar pújá aos seus alunos, ainda selecionam os mais fracos e carentes de energia para trabalhar com eles, às vezes, exclusivamente: são os que direcionam sua divulgação especificamente para idosos e enfermos! Não é de se admirar que esse tipo de instrutor acabe contraindo sérios problemas de saúde. Primeiramente, ele fica neurastênico e com sintomas psicóticos. Na segunda fase somatiza enfermidades que absorveu por interferir com o karma dos seus alunos sem aplicar o dispositivo de segurança que os Mestres Ancestrais nos proporcionaram – o pújá. E, finalmente, morrem cedo, exauridos.

Observe-se que na nossa Escola, que utiliza pújá, em 35 anos não se observou nenhum óbito. Considerando que somos 195 Unidades no Brasil, mais de 30 noutros países e milhares de instrutores, estamos diante de um dado estatístico que merece estudo.

E há alguma explicação para os instrutores do nosso tipo de Yôga terem mais saúde e viverem mais tempo que os demais? Certamente: utilizamos a técnica chamada pújá e somos de linha tântrica, a qual valoriza o corpo, a saúde, o prazer e esse milagre que é a vida. Como, desde que o Swásthya Yôga foi introduzido no Brasil, há três décadas e meia, nenhum instrutor nosso passou para o outro lado da vida, criou-se o provérbio sobre a causa mortis de um instrutor de SwáSthya. Dizem que um instrutor de Swásthya Yôga só morre de rir!

Aliás, já que estamos em clima de descontração, vale a pena lembrar que pujante, em português, significa possante, que tem grande força e pujar, quer dizer superar! Não é uma simpática coincidência? Sabendo-se que o sânscrito influenciou etmologicamente a maioria das línguas modernas, podemos até supor que tenha ocorrido algo mais do que acaso. A semântica mostra que a palavra dente, provavelmente proveio do sânscrito danta; pata, de páda; caju, de kaju; barata, de Bhárata; xícara, de shíkara; chá, de chai; nove, de nava; nome, de nama; e ainda:

  • ignis (latim), de agni, fogo;
  • gnose (grego), de gnana ou jñána, sabedoria;
  • man (inglês), de man, pensar;
  • tri (do grego e do latim) e three (do inglês), de tri, três;
  • penta (grego), de pancha, cinco;
  • genou (francês), de janu, joelho;
  • sept (francês), de sapta, sete; etc.

Bháva

Bháva significa sentimento, conduta, amor, inclinação da mente. É a reverência ou sentimento profundo, intenso, que potencializa e dinamiza a força do exercício. Sem bháva, o pújá não é pújá, o mantra não mantra, e assim por diante: o Yôga não é Yôga.

 

Chakra Pújá

Cerimônia de Consagração Para-Nupcial Secular no Swásthya Yôga

 

A solenidade abaixo descrita não está atrelada a nenhum credo nem religião. Trata-se de uma cerimônia de caráter social e festivo. Só pode ser oficiada pelo Mestre de mais elevada hierarquia.

O casal senta-se sobre um panô no chão ou sobre um tablado no centro do recinto escolhido para dar lugar ao chakra pújá. Entre os nubentes, um tecido branco. Sobre o tecido encontram-se fogo, incenso e flores brancas. Em torno, os convidados iniciados ficam dispostos preferencialmente em círculo ou semicírculo, caso o espaço assim o exija. Fora do círculo sentam-se os eventuais convidados não iniciados. Os padrinhos deverão forçosamente ser yôgins.

Após uma rápida preleção, o Mestre Oficiante dá inicio à celebração entoando alegres mantras (vocalizações em sânscrito) com palmas, o que confere à cerimônia uma atmosfera descontraída.

Terminados os mantras, todos voltam suas mãos para o casal, enviando-lhe votos de carinho duradouro, compreensão, ausência de possessividade, respeito pela individualidade e autêntico companheirismo.

Sob o comando do Mestre Oficiante, os convidados começam a vocalizar o mantra ÔM contínuo, semi-sussurado, para que todos possam ouvir claramente todas as palavras que serão pronunciadas.

Ambos estendem as mãos sobre o fogo para purificá-las e torná-las dignas de tocar o parceiro.

Em seguida, cada um toca de leve com os dedos indicador e máximo nos lábios do outro, dizendo:

– Que teus lábios só pronunciem palavras de amor e compreensão.

Depois, cada qual toca os ouvidos, esquerdo e direito do parceiro (nesta ordem), dizendo:

– Que teus ouvidos só escutem de mim palavras doces e verdadeiras.

Por último, cada um toca no ájña chakra do outro, dizendo:

– Que teus olhos só vejam o carinho que existe em todas as minhas atitudes.

A Shaktí faz um prônam mudrá que é envolvido por um prônam mudrá pelas mãos do Shákta. O Mestre Oficiante transmite seu kripá ao casal. Encerra-se o mantra ÔM contínuo.

O Mestre Oficiante recebe uma pombinha branca que possa voar, das mãos dos padrinhos. O casal toca a ave para transmitir-lhe seu afeto. O Mestre declara:

– Que o Amor e a Liberdade sejam o maior patrimônio da união que agora se formaliza.

Em seguida solta a pombinha. Ao mesmo tempo, uma explosão de palmas, manifestações de júbilo e de congratulações por parte de todos os presentes.

As pedras e o tempo
abr 7th, 2012 by Fretta

Vc sabe com quem está falando?
fev 21st, 2012 by Fretta

A natureza humana – Parte 1
fev 17th, 2012 by Fretta

Nós seres humanos temos uma limitação em nossa capacidade de raciocínio que nos causa infinitos problemas: quando pensamos em alguém ou em alguma coisa que nos aconteceu, em geral, optamos pela interpretação mais simples, mais fácil de digerir. Uma pessoa conhecida é boa ou má, agradável ou mesquinha, suas intenções são nobres ou nefastas; um acontecimento é positivo ou negativo, benéfico ou danoso; estamos felizes ou tristes. A verdade é que nada na vida é assim tão simples, as pessoas são invariavelmente um misto de boas e más qualidades, forças e fragilidades.
Suas intenções ao fazerem alguma coisa podem ser as de nos ajudar e prejudicar ao mesmo tempo, um resultado da ambivalência do que sentem por nós. Até o evento mais positivo tem um lado negativo e com frequência nos sentimos felizes e tristes ao mesmo tempo. Reduzindo as coisas a termos mais simples, fica mais fácil para nós lidar com elas, mas como isso não está relacionado com a realidade, também significa que estamos constantemente confundindo e entendendo mal. Seria de infinito benefício para nós, dar mais nuances e ambiguidade a nossos julgamentos de pessoas e fatos.

Zeitgeist 2011: O ano passado a limpo.
jan 9th, 2012 by Fretta

Golfinho e gatinho
jan 9th, 2012 by Fretta

Harappa e a civilização do Vale do Hindu
dez 5th, 2011 by Fretta

Como meditar em apenas 1 minuto
dez 3rd, 2011 by Fretta

Gandhi e não violência
nov 23rd, 2011 by Fretta

 

Saiba mais deste precito no Blog do Fretta ou no blog  Livre Pensar do Yôga, com texto do Instr. Fábio Euksuzian: Esclarecimentos sobre o tão violentado ahimsá.

Segue um trecho para ilustrar:

Em minha opinião, ahimsá é, antes de mais nada, um intenso treinamento de tapas, termo sânscrito que significa literalmente calor, arder, mas que comumente é traduzido como auto-superação, pois designa em um certo sentido, um controle sobre nossos condicionamentos. Por exemplo, desde crianças aprendemos, muito mais pela observação (e essa é uma das mais eficazes técnicas de ensino) que é normal e natural fofocar sobre a vida alheia, espargir maledicências sem necessidade, odiar o trabalho que nos dá sustento, reclamar o tempo todo de tudo e de todos, desejar que o outro esteja sempre um degrau abaixo de você, fazer mecanicamente o que não se gosta, e por final, aniquilar qualquer bichinho que cruze o nosso caminho (quem quando criança, nunca pisoteou uma formiga ou exterminou um tatu bola, simplesmente porque era o que todos faziam?). Enfim, todas as situações acima são graus diferentes da não observância de ahimsá. Portanto, para que o nosso voto seja realmente verdadeiro e transformador com relação aos animais, ele deve estar perpetrado amorficamente em nossos corações, sem qualquer restrição ou pré-conceitos, passando por pensamentos, palavras, ações e hábitos. Não pense que a tarefa é fácil, pois não é, e digo isso por experiência própria.

 

 

 

 

Como a humanidade trata seus luminares: Destruíram o homem que descobriu o uso da anestesia com óxido nitroso
nov 22nd, 2011 by Fretta

A diferença entre um médico e Deus é que Deus não pensa que é médico.
Reinaldo Pimenta em A Casa da Mãe Joana

Horace Wells, dentista, nasceu em Hartford, Estados Unidos, a 21 de janeiro de 1815. Em 1844 percebeu que o óxido nitroso, o “gás hilariante” tinha propriedades anestésicas. Ele era utilizado popularmente em shows e feiras por produzir o riso incontrolado, por isso era chamado “o gás do riso”. Bem, já começamos mal. Esse gás não tinha lá uma fama de coisa séria! No entanto, Wells notou que uma das pessoas se ferira enquanto usava o gás e não sentiu a dor como seria natural.

Começou a utilizar o óxido nitroso em sua clínica com grande sucesso. Imagine que até então, todos os procedimentos odontológicos eram feitos a frio! Um dentista que tratasse os pacientes sem dor, seria mesmo uma revolução. Então, Wells cometeu a ingenuidade de querer fazer uma demonstração científica no Massachusetts General Hospital. Ocorreu que o gás não fez efeito no sujet e Horace Wells foi ridicularizado e saiu dali escorraçado por entre insultos e chacotas. Alguns historiadores da medicina acham que ele utilizou menos gás do que o necessário, mas outros afirmam que o experimento teria sido sabotado pelos próprios médicos que não queriam admitir o mérito do dentista.

Depois de sofrer sucessivas humilhações, difamação e falta de reconhecimento por sua descoberta, Horace Wells, falido, foi preso em New York e suicidou-se na cadeia. Em seguida a Societé Medical de Paris reconheceu publicamente o mérito da sua descoberta. Tarde demais. Ele não estava mais vivo para desfrutar o reconhecimento.

 

Documentação complementar: leia o livro História sinóptica da anestesia, de Amedeo Bobbio, São Paulo, 1969.

 

Extraído do blog do DeRose: 

A polêmica do acento na palavra Yôga
nov 21st, 2011 by Fretta


A polêmica do acento na palavra Yôga 

Escrito por André Mafra

Como dá para notar, o assunto não é dos mais relevantes. Tanta coisa importante para ser discutida no mundo e Yôgins de todas as linhas digladiando-se por conta de um detalhe. Mas você verá um pequeno detalhe pode fazer toda a diferença…

A Origem da polêmica

Os primeiro textos sânscritos que chegaram ao ocidente foram trazidos pelos ingleses, os colonizadores da Índia.  Por cerca de 200 anos, ocorreu um processo de choque de culturas e também de assimilação por ambos os lados. Com isso tivemos escrituras, manuais, textos mitológicos e outros foram transliterados para uma língua que não possuía acentuação.

Transliteração é o processo de representar os caracteres de um vocábulo por caracteres diferentes no correspondente vocábulo de outra língua. Concluímos assim que uma boa transliteração é aquela que consegue transpor com a maior fidelidade possível nuanças fonéticas da língua estudada, permitindo ao leigo entender e reproduzir com exatidão o som original, afinal sem isso, o único jeito seria aprender o alfabeto da língua de partida.

O sânscrito, língua morta da Índia antiga, é escrito em dêvanágari, que significa a escrita dos deuses. De origem indo-européia, o sânscrito é uma língua muito elaborada, gramaticalmente perfeita,  possui muitos detalhes fonéticos, grande diversidade de sons característicos de idiomas antigos e um vocabulário muito vasto que aumentou ao longo de muitos anos de utilização.

Seus detalhes fonéticos, às vezes, diferem muito das línguas ocidentais. Portanto é natural que o leigo tenha um pouco mais de dificuldade para vocalizar alguns mantras ou para pronunciar alguns termos. Os falantes do português, em geral, possuem facilidade para a maioria das sílabas sânscritas, encontrando problemas, às vezes, com as letras aspiradas por conta do fenômeno do visarga (h) em namah, kapalabhati, granthi, e alguns outros casos. Os falantes do espanhol, por sua vez, se atrapalham com a pronúncia do “ya”, “yô” e pronunciam “já”, “jô”, e assim por diante. Os falantes do inglês se equivocam com os erres, que devem ser pronunciados como o erre italiano, atrapalhando-se, por exemplo, com a pronúncia das palavras Rama, mudrá, e em outras, como jay (jaya) que é por eles pronunciada como “jei”.

De uns 10 anos para cá (1998 – 2008), com o crescimento do interesse pela prática do Yôga, tivemos uma invasão de termos sânscritos povoando a internet, revistas, matérias de jornais, nomes de estabelecimento comercias, etc. Karma, dharma, yôga, ashtánga, môksha, samádhi, kundaliní (deve ser pronunciado com o í final longo) e outras palavras já são quase de uso cotidiano. O lado bom de tudo isso é a difusão do conhecimento e a possibilidade de ampliação do pensamento e do raciocínio da cultura ocidental.  Hoje, qualquer cônjuge sofre o peso de ser considerado o karma do parceiro quando faz algo que o desagrada, ou pior, você que pratica Yôga ser tachado de “zen”, termo que virou adjetivo para qualquer um que seja considerado calmo, equilibrado, ou que faça alguma prática esdrúxula, supostamente oriental. Ser chamado de zen não é agradável, na verdade é A polêmica do acento na palavra Yôga ofensivo, pois se trata de uma gafe cultural e um desrespeito às diferenças de tantas culturas orientais totalmente distintas, como o Budismo, Yôga, Tai-Chi, Sámkhya, Vêdánta, Sikhismo e etc.

O sânscrito possuiu, para o Yôgin, uma importância mântrica muito forte. Para nós praticantes, a vibração sonora possui uma força imensa. A atuação de determinadas técnicas depende exclusivamente da boa pronúncia e de sua intenção na hora da execução. Alguns sons (mantras) vibram por ressonância nos centros de energia (chakras). Algumas palavras sânscritas vêm sendo pronunciadas por milhares de praticantes ao longo de milhares de anos e possuem na repetição uma força acumulativa poderosa.

O problema é aceitarmos a utilização de uma transliteração que não transpõe de maneira correta a diferença entre fonemas curtos e longos, pode ser representado por um acento agudo, circunflexo, um macro, um til, uma nota de rodapé ou uma introdução explicativa. Os acentos são ferramentas gráficas que possuímos para enfatizarmos detalhes e filigranas fonéticas da língua, marcam também o requinte e o charme de um idioma. Resumindo: são indispensáveis para esta convenção!

 

Demonstração
de que a palavra Yôga tem acento
no seu original em alfabeto dêvanágarí:

YA (curta)                  =                 YA (curta).

YAA \ YÁ (longa)             =             YAA  \ YÁ (longa).

YOO* \ YÔ (longa)             =            YOO* \ YÔ (longa).

YÔGA C.Q.D.            =            YÔGA  C.Q.D.

As consoantes sânscritas possuem uma vogal “a” sempre presente. Temos assim o fonema “Ya” curto.
YA (curta) = YA
Com um traço vertical após o fonema, temos o prolongamento desse “a”, pois o traço vertical indica a presença de mais uma letra “a” temos assim “Yaa” longo.
YAA \ YÁ (longa) = YAA
Ou seja, todas as vezes que queremos inserir mais uma vogal “a” colocamos um traço vertical depois (a-ki-matra). Escrever com dois “as” não está errado, afinal são duas letras mesmo, mas pode induzir o leigo a pronunciar “Ya-a”, que seria a forma errada. Por isso, utilizamos um acento agudo que indicaria uma fusão de letras iguais. O mesmo ocorre com as vogais i e í, u, e ú.
YAA \ YÁ (longa)  = YAA  ou YA+A= Yá
logo,
YAA \ YÁ (longa) = Yá
Uma coisa é certa: o fonema ficou longo já que possui mais uma vogal e como isso a pronúncia muda. O acento agudo (´) então, é a nossa forma ou convenção para indicar um fonema longo. Poderia ser qualquer outro acento desde que indicasse uma alteração no fonema original.
É comum encontramos o termo ásana grafado assim: aasana. Percebeu o problema?
Resumindo: O traço vertical alonga o fonema, alonga a pronúncia. Essas mudanças precisam ser identificadas pelo pobre leigo que está lendo sânscrito no alfabeto latino! O acento indica que a letra é longa e muda a pronúncia!

O acento da letra “o”

Vimos que para inserimos um “a” usamos um traço vertical simples. Agora vamos aprender a inserir a vogal “o”.

A vogal “o” no sânscrito é sempre longa. Ela é composta de duas letras (a+u) e por isso é um ditongo. Concluímos assim que não existe a vogal “o” curta. Ela é sempre longa (Oo) já que possui, também, duas letras.

O símbolo no dêvanágari para inserir um “o” em uma consoante é um traço vertical seguido de um traço acima do mesmo anterior. Sempre que houver um símbolo (ô-ki-matra) depois de qualquer letra, ela ganha uma vogal “o” de presente.

   (símbolo que acrescenta a letra “o” em qualquer fonema); YA (curta) = Ya

YA (curta)+ = YOO* \ YÔ (longa)  ou seja Ya+ô = Yô

Assim: “ya” vira “yô”, “ba” vira “bô”, “la” vira “lô” e assim por diante.

O acento circunflexo não é usado para fechar a pronúncia

Quando comecei a praticar Yôga ainda existia muita dúvida se a pronúncia era Yôga ou ióga. Atualmente quase todos os professores no Brasil, de diversas linhas, confirmam a pronúncia que DeRose já defendia há décadas: Yôga, com “o” fechado e gênero masculino. Como as letras “o” e “e” têm pronúncia sempre fechada no sânscrito, muita gente pensa que o acento serve para marcar essa característica, o que você já deve ter notado, é um erro.
Quando usamos a transliteração inglesa simplificada “Yoga” perdemos um detalhe importantíssimo que é a pronúncia correta da letra “o” longa. Parece um detalhe, mas faz toda a diferença. A nossa grafia precisa, então, de algo que identifique essa sílaba longa.

E se usarmos o acento agudo?

A princípio está certo, afinal está sendo sinalizado que a letra é longa. Mas o problema, é que a pronúncia fica errada para quem fala português. O leigo lerá Yóga com ó aberto. Um erro primário.

Completamos a palavra com o fonema “ga” e fechamos Yôga.

 = Ga

e finalmente temos:

 = Yôga

Simples, não é? Vamos nos esforçar para grafar e principalmente pronunciar de forma correta as palavras sânscritas. Recomendo o Cd de Sânscrito – Treinamento de Pronúncia gravado na própria Índia! Uma boa pronúncia significa uma boa prática. Agora chega de teoria, levante-se e vá fazer uma aula!

Bruce Lee fala sobre meditação
nov 20th, 2011 by Fretta

»  Substance: WordPress   »  Style: Ahren Ahimsa